MAM apresenta exposição Caneta, Lente e Pincel – Jogo, que reúne 27 obras inéditas de 33 artistas

 

O Mundo nesse Frasco, de Mariana Matina, é um dos destaques da exposição  (Crédito: Divulgação)

O Mundo nesse Frasco, de Mariana Matina, é um dos destaques da exposição (Crédito: Divulgação)

 

Uma foto serve de inspiração para um poema, que, por sua vez, serve de inspiração para um desenho, que serve de inspiração para uma música, e assim por diante, num jogo especulativo em que traço, cor, som e formas se tornam um só. Esta é a premissa da exposição Caneta, Lente e Pincel – Jogo, em cartaz até fevereiro no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM). Composta por 27 obras inéditas, produzidas por 33 artistas visuais, escritores, fotógrafos, desenhistas, animadores e músicos especialmente para a ocasião, a mostra é um desdobramento da revista eletrônica de mesmo nome, criada há cerca de cinco anos pela dupla Renato Amado e Guilherme Quaresma.

A exposição está dividida em duas partes principais. Na primeira delas, foi utilizada uma antiga brincadeira infantil para criar as obras, todas em duas dimensões: o telefone sem fio, como esclarece a curadora Vivian Faingold. “A obra inicial foi feita com base no tema ‘jogo’. A ideia era fazer uma brincadeira, em alusão ao telefone sem fio. Somente eu, o Renato Amado e o primeiro colaborador, um poeta, no caso, conhecíamos o tema. Ele fez uma poesia e a passou para a segunda pessoa, um fotógrafo, que inspirado nela, produziu uma obra. Encaminhou sua obra, então, para uma videoartista, que produziu um vídeo baseado somente nesta obra, que foi encaminhado para um artista plástico, que fez seu trabalho a partir dele e o encaminhou a uma escritora. E assim por diante, em um total de quinze obras. Os artistas só conheceram as obras nas quais se inspiraram, não conheciam as obras anteriores”, afirma.

A segunda parte da exposição, por sua vez, realizada em duplas ou trios, reúne doze trabalhos tridimensionais, instalações em sua maioria, que tiveram como base as quinze obras iniciais. “Na primeira parte os artistas trabalharam sozinhos com o conceito de telefone sem fio. Na segunda parte, ninguém soube qual era o tema. Juntamos duplas ou trios para que fizessem releituras das quinze primeiras obras. E, em cima disso, foi feita a montagem. À medida que eles entregavam as obras, passavam a conhecer o trabalho dos outros artistas envolvidos, promovendo uma fusão entre eles que envolveu diferentes linguagens. Fizemos um sorteio de ordem e tentamos intercalar sempre um escritor com um artista mais visual em cada grupo”, explica a curadora.

Artistas envolvidos com a revista eletrônica

A seleção dos artistas da mostra foi feita por Renato Amado e Danielle Schlossarek, à frente da coordenação de projetos, com Poliana Paiva. Os participantes foram selecionados dentre os mais atuantes ao longo dos quase cinco anos de existência da revista eletrônica. A produção dos trabalhos demorou quase um ano e meio e foi sendo feita paralelamente: conforme as obras da parte 2D iam sendo aprovadas pela curadora Vivian Faingold, as obras 3D, inspiradas nas 2D, começavam a ser concebidas. “O fundamento básico é a incessante produção de novas obras de arte, sempre unindo literatura a outra manifestação artística”, afirma Vivian. “O projeto pretende oxigenar o cenário cultural, ao propor uma nova geração de artistas de diversas áreas, que já são colaboradores do Caneta, Lente e Pincel”.

Relação do público com a arte

Para Vivian, um dos principais objetivos, da exposição é propor ao público uma relação diferente com a arte, mais interativa e menos contemplativa. “Objetivamos propiciar ao público visitante uma rica experiência artística, e um lúdico jogo, uma vez que, ao olhar para uma imagem, involuntariamente, mesmo que de forma semiconsciente, construímos uma narrativa para ela. Deparar-se com a obra seguinte do ‘telefone sem fio artístico’ será um rompimento com a narrativa imaginada pelo visitante. Queremos ampliar o conceito de arte”, conclui a curadora.

 Saiba mais sobre o projeto

A revista eletrônica que inspirou a exposição conta com um corpo de colaboradores, sendo metade deles escritores, e a outra parte artistas diversos, como fotógrafos, visuais e músicos. O projeto se desenvolve através de rodadas sucessivas, com três obras postadas no blog e fanpage por semana, em que uma obra visual ou uma música eletroacústica serve de inspiração para um texto, em prosa ou em verso. Em outras rodadas, a situação se inverte e o texto é que inspira a criação da imagem, música, animação, videoarte. A ideia é que o texto e a outra obra formem um só conteúdo, em um diálogo construtivo e especulativo, em um fluxo de significações mútuas.

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Fonte:  Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro