Em exposição com cerca de 180 obras no MAR, Fernando Lindote descontrói personagens como Zé Carioca e Macunaíma para traçar um histórico da representação do Brasil aqui e no exterior

Em meados da década de 1940, no auge da Guerra Fria, o papagaio Zé Carioca desembarcava por aqui, a princípio pomposo, para propagar o “american way of life”. Nas mãos do cartunista Renato Canini e do roteirista Ivan Saidenberg, porém, o personagem criado por Walt Disney logo ganhou o jeitinho brasileiro e, malandro, se tornou símbolo da nação. Ele e outros, como Macunaíma, de Mario de Andrade, serão revisitados na exposição Fernando Lindote: Trair Macunaíma e Avacalhar o Papagaio, que reúne cerca de 180 obras de Lindote e de nomes como J.Carlos, Glauco Rodrigues, Walmor Corrêa e Maria Martins no Museu de Arte do Rio (MAR). O público poderá conhecer melhor, através de desenhos, ilustrações, pinturas e esculturas, além de objetos e documentos, como o Brasil e o Rio de Janeiro vêm sendo representados ao longo dos anos.

O ponto de partida da mostra é a relação de Lindote com a obra de Canini, principal ilustrador brasileiro do personagem Zé Carioca. Dos 11 aos 16 anos, aproximadamente, o artista frequentou o atelier de Canini e, até hoje, o papagaio com as cores do Brasil permeia sua obra, sendo constantemente revisitada e reinventada, assim como outros personagens estrangeiros com forte entrada na América Latina. É de Canini, inclusive, o termo avacalhar, presente no título da exposição.

Canini Ze Carioca

Renato Canini

Através de quatro núcleos que trazem elementos típicos do Brasil, como a fauna, a flora e a diversidade cultural, Lindote aponta elementos que contribuíram para a construção da identidade nacional. O primeiro núcleo apresenta o início da trajetória artística de Lindote. A segunda parte foca na biodiversidade dos trópicos e no papagaio como um dos símbolos nacionais. O terceiro módulo abarca obras de Lindote produzidas entre 1990 e 2015, que deixam claro como distorções, deformações e transformações permeiam toda sua trajetória. No último núcleo, as obras, bem como bibelôs, cartões postais, tecidos, fotografias e personagens ícones do Rio e do Brasil, realçam o modo como a cidade se consolidou internacionalmente por sua capacidade de configurar símbolos plásticos e gráficos. A exposição segue até 24 de abril.

Na foto do topo, o artista plástico Fernando Lindote.

Com informações do portal da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro


Serviço
Terças, das 10h às 19h. De quarta a domingo, das 10h às 17h.  Às segundas o museu fecha ao público

Local:
Museu de Arte do Rio (MAR) – Praça Mauá, 5, Centro

Outras informações:
Ingresso: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia-entrada). Às terças a entrada é gratuita para o público geral. Aos domingos a entrada é gratuita para portadores do Passaporte de Museus Cariocas que ainda não tiverem o carimbo do MAR. No último domingo do mês o museu tem entrada grátis para todos por meio do projeto Domingo no MAR.