“A Vídeo Arte imita a natureza, não em sua massificação ou em seu aspecto físico, mas na sua estrutura temporal, na sua irreversibilidade”. Nam june Paik

Hoje, 26 de janeiro, é a data em que pela primeira vez houve-se uma transmissão de televisão. Foi em uma demonstração foi  realizada pelo escocês John Logie Baird, em 1926, para um grupo de 50 cientistas. Desde então a televisão vem sofrendo diversas modificações quanto a sua relação pessoa-tv. Nas artes um de seus representantes símbolo é certamente o coreano Nam June Paik.  Confira a matéria abaixo sobre o artista sul-coreano.


 

Nam June Paik é um artista sul-coreano considerado o pai da vídeo arte e que, desde 1960, trabalhou os média como formas e meios de realizar arte, usando principalmente a televisão e o vídeo, mas também satélites e instalações. Paik explora uma relação entre meios materiais e disciplinas artísticas com os seus trabalhos, sendo dos primeiros artistas a ver a potencialidade da televisão e do vídeo para a criação de novas possibilidades artísticas.

Ele combinou a capacidade expressiva da performance com as novas capacidades tecnológicas da imagem em movimento. Usa muito a televisão, não apenas como meio mas como objeto escultural, para poder descontextualizar o uso habitual do monitor.

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“Electronic Superhighway: Continental U.S., Alaska, Hawaii.”

Paik via no vídeo e nas instalações uma forma de abandono das estruturas tradicionais e formais para puder operar a outro nível o material. Segundo ele, a principal diferença entre a imagem eletrónica e a imagem do cinema e da fotografia é o espaço e como ele deixa de estar confinado e permite a criação de novos objetos e formas de arte.

Para além da televisão e do vídeo, houve outras influencias tecnológicas no trabalho de Paik, como o satélite. Paik utilizava satélites de comunicação com finalidades artísticas e fazia performances mundiais, sendo o primeiro a fazê-lo. A primeira foi em 1984, intitulada “Good Morning, Mr Orwell”, o seu nível mundial não se deveu apenas ao seu carácter de transmissão global mas também à sua produção mundial, por exemplo, a música estava a ser feita em Nova Iorque, por John Cage, enquanto era acompanhado por imagens e vídeo em directo de Paris. “Good Morning, Mr Orwell” também conta com a participação dos mais diversos artistas como Laurie Anderson, Merce Cunningham, Peter Gabriel e Joseph Beuys.

Nam June Paik e a sua multiplicidade de meios criaram uma obra precursora na utilização de média como o vídeo e a televisão para a conceção de arte com a finalidade de criar formas alternativas de expressão onde a base é sempre a tecnologia.

 

Por Ana Sofia Simões Nascimento :: Publicado em Arte & Multimédia


 

Breve Biografia de Nam June Paik

 Nasceu em 20 de julho 1932 em Seul, Coréia.
1950 imigrou com a família para o Japão, durante a Guerra da Coréia.
1956 Gradua da Faculdade de Tókio com bacharel em História da Arte e Historia da Musica, incluindo uma tese sobre Arnold Schonberg (compositor austro-húngaro, 1874-1951. Especialista em escrever concertos para violino).
1956-58 Estudou História da Musica na Universidade de Munique, e simultaneamente, Composição no Conservatório de Freiburg.
1958-63 Tem seu primeiro encontro com a musica eletrônica nos estúdios de John Cage em Colônia.
1963-64 Conhece Shuya Abe no Japão onde trabalha com eletroímãs e televisão da cor.
1965 “Arte Eletrônica” foi o titulo de sua primeira exibição solo nos Estados Unidos, na Galeria Bonino.
1966-69 Mostra sua primeira instalação com múltiplos televisores. Um destes trabalhos “performances” é mostrado ao vivo no canal GBH-TV de Boston.
1969-70 Constrói o primeiro sintetizador de vídeo junto com Shuya Abe.
Morou e trabalhou em Nova Iorque, e mantinha uma segunda casa em Bad Kreuznach. Foi professor na Staatliche Kunstakademie, em Dusseldorf.
1996, foi homenageado do 11º Festival Internacional de Arte Eletrônica Videobrasil, realizado em 1996 no Sesc Pompéia, em São Paulo.
Ao final desse mesmo ano, Nam June Pasik teve um derrame que o deixou parcialmente paralizado.
Faleceu em 29 de janeiro de 2006.
É membro honorário :
Staatliche Kunstakademie, Dusseldorf desde 1979.
Akademie der Kunste, Berlin, desde 1987.