A ASCOM da  Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro fez uma retrospectiva da Cultura em 2015. Confira o balanço da Secretaria no texto abaixo.

 

Intenso, movimentado e plural são as palavras que melhor definem o ano de 2015 para a Secretaria de Estado de Cultura (SEC). No espaço desses 12 meses, a Lei de Cultura foi aprovada e, consequentemente, o Sistema Estadual e o Conselho Estadual de Política Cultural (CEPC) começaram a ser montados.

Espaços icônicos do estado comemoraram marcos importantes: os 80 anos da Biblioteca Pública de Niterói, os cinquentenários do Museu da Imagem e do Som e da Sala Cecília Meireles, os 40 anos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o quarto de século da Casa França-Brasil.

Visitantes ilustres compartilharam na Biblioteca Parque Estadual (BPE) e na EAV sua visão de cultura com o público fluminense, como o autor angolano Valter Hugo Mãe, o escritor moçambicano Mia Couto, a francesaAriane Mnouchkine, fundadora do Théâtre du Soleil, o filósofo e historiador da arte Georges Didi-Huberman, maisManuela Carneiro da Cunha, Maria Rita Kehls, Alexander Alberro e Richard Peña , da Universidade da Columbia – Columbia Global Center / Latin America).

Na mesma BPE ? brindada, logo no início do ano, com a certificação LEED Gold, selo ambiental conquistado pela primeira vez por uma biblioteca no Brasil e pela segunda vez por uma biblioteca na América Latina ? nasceu o Clube de Leitura Ana Maria Machado, numa manhã de festa com música, crianças e a própria homenageada.

Canais reforçados com o interior

Mas, ao passo que deu continuidade a seu trabalho na capital, a SEC também redobrou seus esforços na Baixada Fluminense e nos municípios do interior.

Canais de interlocução foram estabelecidos ou reforçados: em 10 Conferências Regionais, organizadas para se eleger os membros do CEPC, que também vêm sendo escolhidos por votação online, no portal Cultura.rj; em caravanas para divulgar editais; na grande Teia dos Pontos de Cultura, realizada em Vassouras; nas jornadas técnicas da Superintendência de Museus; nos encontros promovidos pelo Sistema Estadual de Bibliotecas; nas oficinas e palestras do Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC).

Os praticantes da Economia Criativa ? área na qual a SEC é pioneira desde 2009 ? tiveram muito a comemorar, com a inauguração do Balcão Crédito Cultura RJ, parceria com a AgeRio;  com a abertura do edital Coworking Rio Criativo; e com o início do segundo ciclo de incubação no Rio Criativo,  eleito uma das melhores incubadoras da América Latina pela UBI Global, órgão mundial mais importante de análise do desempenho de incubadoras.

As prefeituras do estado puderam se beneficiar da terceira fase do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Cultural dos Municípios, o PADEC, feito em parceria com a Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura (MinC). Neste ano, o PADEC promoveu cursos de formação para gestores públicos e agentes culturais, viabilizou a implantação e a modernização de espaços culturais e financiou a aplicação de metodologia de apoio para a organização dos Sistemas Municipais de Cultura em municípios fluminenses, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).

O investimento no interior teve outro ponto alto no resultado do edital de Microprojetos. Destinado a jovens com idade entre 15 e 29 anos, premiou 102 projetos de áreas como cultura popular, audiovisual, teatro, circo, dança, gastronomia, novas tecnologias e comunicação comunitária, oriundos de nove das 10 regiões do estado, com R$ 12.000,00, cada.

Enquanto isso, a 1ª Caravana Fluminense de Teatro e Literatura, parceria com a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena e a editora Cobogó,  percorreu nove municípios, de agosto a dezembro, levando espetáculos de produção acadêmica e debates sobre a relação do teatro com a literatura.

Os cineclubes do interior ? implantados em escolas estaduais, em 2013, através do Programa Cinema Para Todos, outra iniciativa da SEC ? ofereceram ações de formação, como sessões especiais, nas quais foram propostas reflexões e debates sobre os filmes exibidos, e oficinas, como as de produção e curadoria de mostra.

Apoio à diversidade

A diversidade deu o mote do ano, por meio de ações de peso e profundidade: o Circuito Favela Criativa (sete fins de semana consecutivos de arte e cultura que mobilizaram mais de dois mil artistas e o público de 57 comunidades da capital); os eventos comemorativos do Dia do Índio e do Dia Internacional dos Povos Indígenas; a participação na festa junina da comunidade São João, no Engenho Novo; sobretudo, o primeiro Prêmio e Cultura Afro-Fluminense, que premiou 36 iniciativas culturais de todo o estado diretamente relacionadas à temática afro-brasileira com R$ 21.000,00, cada, em emocionante cerimônia realizada na Casa do Jongo da Serrinha, em Madureira.

A música brilhou nos palcos (Egberto Gismonti, Jordi Savall e o espetáculo BACH BACH BACH foram alguns dos destaques na programação da Sala Cecília Meireles) e na quinta edição do Banda Larga, projeto de incentivo à formação de instrumentistas e mestres das bandas de música fluminenses, oferecendo cursos intensivos e gratuitos de atualização musical e de manutenção e reparo de instrumentos, ajudando, assim, a preservar esse verdadeiro patrimônio imaterial do estado. Em 2015, afora o aprendizado, o Banda Larga deu prêmios à Sociedade Musical Beneficente Euterpe Friburguense, melhor banda na categoria grande porte, e à Sociedade Musical Lira da Esperança, na categoria pequeno porte.

Brilhou também na Escola de Música Villa-Lobos: na oficina da banda norte-americana Break of Reality, na apresentação do pianista João Carlos Assis Brasil com seus alunos da turma de improviso, e no projeto Prata da Casa, momento em que professores da escola sobem ao palco do Auditório Guerra-Peixe para apresentar seus trabalhos.

Por sua vez, a leitura e o conhecimento ganharam impulso importante através do Prêmio Rio de Literatura, parceria com a Cesgranrio que recebeu impressionantes 607 inscrições, vindas do país inteiro, para disputarrecursos de R$ 220.000,00, destinados a obras de ficção e ensaios já publicados e a trabalhos inéditos de novos autores fluminenses.  A divulgação das 60 obras finalistas acontecerá em fevereiro. Os vencedores serão anunciados em junho.

Enquanto isso, o Concurso de Minicontos-Escritos mínimos, tensas histórias, primeiro certame literário realizado entre os leitores que frequentam a rede de Bibliotecas Parque, escolheu 40 trabalhos. Os vencedores ganharam um kit de livros, uma bicicleta aro 26 e um diploma de participação.

Ainda no campo de leitura, convênio firmado com o Centro Regional para o Fomento o Livro na América Latina (CERLALC), através do programa IBERBIBLIOTECAS, resultou em cursos de Mediação de Leitura, Elaboração de Projetos, Dinamização de Espaços de Leitura e Organização e Dinamização de Acervos em oito diferentes municípios do estado.

Houve também um forte trabalho de doação de livros. Ao todo, a Secretaria doou 322.733 livros para compor os acervos de espaços de leitura e para a realização de atividades culturais que envolvessem o fomento à leitura. E a SEC marcou presença na Bienal do Livro e em feiras literárias diversas, incluindo a FLIP, a FLIZO e a FLIDAM.

Dentre os editais do ano que termina, o Elipse-Programa Estadual de Fomento ao Curta Universitário, lançado também em parceria com a Fundação Cesgranrio, e com o apoio do Canal Brasil, para estimular os jovens talentos fluminenses, selecionou 12 curtas. Cada projeto receberá R$ 12.500,00 e será exibido em janeiro de 2016.

A produção audiovisual fluminense ganhou impulso, ainda, em direção ao público e ao mercado internacionais, por meio de dois editais. Um deles é o Films From Rio, parceria com RioFilme, Sebrae, Sicav, Firjan e o Festival do Rio que  selecionou seis produtores fluminenses para participar de eventos importantes, como o Festival Ventana Sur, na Argentina, e  o Festival Internacional de Cinema de Cannes, na França.  O outro é o que escolheu dois produtores em início de carreira para irem ao Rotterdam Lab, o Laboratório do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, na Holanda, com encontro de negócios e uma agenda de painéis e sessões de debate.

Na área de preservação, o INEPAC lançou o livro Educação para o Patrimônio Cultural e celebrou importantes contratos, como o termo de comodato com a Casa da Irmandade de Valença, onde será implantado o Escritório Técnico do instituto na região do Vale da Paraíba, e o acordo com a Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, para levantamento e classificação de seu acervo de bens móveis e integrados, visando seu tombamento. De grande relevância também foi o termo de compromisso assinado com o Grande Oriente do Brasil para a restauração do Palácio Maçônico do Lavradio.

Outro destaque do trabalho do instituto em 2015 foi a realização, com a Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio, do Seminário Cabo-Frio-400 Anos, Patrimônio, História e Turismo.

Em 2015, houve também o lançamento do Cadastro Fluminense de Museus, cujo objetivo é atualizar as informações dos equipamentos do Rio para o processo de credenciamento das instituições, um instrumento de organização e compartilhamento de dados sobre os museus do estado, facilitando a integração e comunicação entre eles e abrindo espaço para a implantação da Política Estadual de Museus. Também foi lançado este ano o aplicativo Casa da Marquesa de Santos/ São Cristóvão Cultural, um ?olho mágico?, por assim dizer, para se explorar aquela construção, datada de 1827, e sua história até os dias de hoje, quando está sendo restaurada para abrigar o Museu da Moda Brasileira.

 

Programação intensa nos equipamentos da SEC

O Museu do Ingá teve uma programação variada, ao longo do ano, que incluiu a mostra Trajetórias-Ingá: do Palácio ao Museu do Estado, um resgate da história fluminense e do próprio museu através de plataformas interativas, com curadoria de Carlos Fernando Andrade e Andréa Telo da Corte; e a exposição União Indústria: uma estrada para o futuro, parceria com a Fundação Museu Mariano Procópio, com fotografias, mapas e litografias sobre a construção da rodovia que ligou o Rio a Juiz de Fora no século XIX.

Sucessos de público e crítica (Chacrinha, o MusicalA Ópera do Malandro, o projeto Quartas de Humor, The Lyons, Santa Joana dos Matadouros e o infantil Patrícia Piolho) foram montados nos teatros da rede estadual (como o João Caetano e o Glaucio Gill). Artistas como Rodrigo Braga, Gilvan Barreto, Barrão e o Projeto Ponte Aérea ocuparam a Casa França-Brasil e a Galeria Laura Alvim (que ganhou o Projeto Música na Varanda para animar as tardes nos fins de semana).

O Programa Curador Visitante da EAV levou ao palacete do Parque Lage cinco curadores convidados a ministrar um curso de curta duração sobre um assunto de seu interesse, que resultava em uma exposição realizada em espaços de natureza heterogênea, tais como as Cavalariças e a Capela, salas do Palacete, o Pátio da Piscina e o Terraço, além da Torre e da Gruta nos jardins, e em outras áreas de trilha e da floresta. A escola também inaugurou este ano com Lia Rodrigues, Chacal e Aderbal Ashogun uma nova série de aulas públicas e ofereceu um Programa de Formação Gratuita de nove meses de duração, com dois níveis de formação e distintos processos de seleção, que disponibilizou 80 bolsas de estudo, mais um Programa de Residência (em Itaparica, na Bahia, e em Cali, na Colômbia.

A Casa França-Brasil ? que vai ganhar uma nova porta, debruçada sobre a Baía de Guanabara ? celebrou seus 25 anos com um baile e cinco mostras simultâneas, reunindo trabalhos de Cildo Meireles, Alfredo Jaar, Beto Shwafaty e filmes de Tamar Guimarães, Manon de Boer e Wendelien van Oldenborgh e uma seleção de documentos de exposições realizadas na Casa desde 1990. Marcou a data também a Exposição Projeto Pergunta, com curadoria do diretor da CFB, Pablo León de la Barra, que convidou o coletivo chileno Mil M2 (mil metros quadrados) e reuniu as obras ?Cruzeiro do Sul?, de  Cildo Meireles, e ?Tempos Difíceis?, de  Ivan Grilo.

 Fidelio, única ópera escrita por Ludwig van Beethoven, abriu a temporada lírica do principal palco do país dedicado às artes clássicas, o do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a assinatura de Christiane Jatahy na direção cênica e a de Isaac Karabtchevsky, na direção musical e regência. O TM também ofereceu as óperas Don Pasquale, de Gaetano Donizetti, com direção cênica de André Heller-Lopes e regência de Silvio Viegas, e As Bodas de Fígaro, de Wolfgang Amadeus Mozart. A ópera-bufa recebeu direção de cena de Livia Sabag e regência de Tobias Volkmann. A dança marcou presença com as produções Apoteose da Dança, espetáculo com programa duplo que reuniu as peças Age Of Innocence (músicas de Philip Glass e de Thomas Newman / coreografia de Edwaard Liang) e Sétima Sinfonia (música de Ludwig Van Beethoven e coreografia, cenários e figurinos de Uwe Scholz) e com Messias, que contou com o auxílio de cantores líricos e coreografia assinada pelo argentino Maurício Wainrot.

Ainda em 2015, o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo abriu suas portas em Ipanema e a residência artística Casa Rio fincou raízes em Botafogo.

E, por fim, a Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro concedeu benefícios fiscais de quase R$ 80 milhões, possibilitando a realização de eventos como o Festival Panorama, o Anima Mundi e o Festival do Vale do Café.

 

 

Fonte:  Secretaria de Estado de Cultura do Rio