Ao pensar-se na arte de rua contemporânea e de artistas fora do circuito cultural da segunda metade do século XX não tem como não deixar de  falar do francês Jean Dubuffet (1901-1985), que recebe este ano uma grande retrospectiva de sua obra com uma exposição organizada pela Fondation Beyeler, na Suiça.

Em suas obras, o artista era ávido por experiências com  novas técnicas e novos materiais, tais como areia, asas da borboleta, esponjas e cinzas de fundo, criando um universo pictórico bastante singular e de grande originalidade. A influência de Dubuffet ainda é sentida na arte contemporânea, como  por exemplo no trabalho de David Hockney, Jean-Michel Basquiat e Keith Haring.

 

Um pouco sobre Debuffet

A carreira de Dubuffet foi marcada por uma resistência aos códigos clássicos da prática artística. Ele favoreceu o lugar-comum sobre o rarefeito e a matéria sobre o refinado. O estilo e método do artista surgiu da observação de  artistas sem treinamento, crianças e de pessoas com problemas mentais, além do uso de materiais e técnicas não convencionais.

Os trabalhos que Debuffet realizou após a Primeira Guerra Mundial constituem uma reação contra o radicalismo estético de algumas das vanguardas do início do século. Após uma pausa na carreira, em 1937, retornou aos trabalhos com uma proposta visual com imagens figurativas, em que utilizou, de forma crua e rude, materiais insólitos. A usar estes materiais (pastas espessas, barro, asfalto, areia, etc.), Buffet busca substituir a tradicional importância do cromatismo na definição das formas.

O artista criou em 1948 a Companhia da Arte Bruta, o nome é uma referência ao tipo de arte criada por pessoas sem formação artística e psicóticos, tendo em vista descobrir o que ele acreditava ser uma abordagem mais autêntica e humanista da arte.

Após um período de descrédito por parte do público e crítica, o reconhecimento ao artista ocupou o espaço merecido na história da arte. Hoje Jean Debuffet é considerado precursor de diversas correntes artísticas desenvolvidas na segunda metadade do século XX, como o Expressionismo Abstrato e o Informalismo. Dubuffet teve uma carreira prolífica na arte, tanto em França como nos Estados Unidos, e foi apresentado em várias exposições ao longo de sua vida.

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Jean Dubuffet no trabalho em uma escultura de poliestireno em Paris, em junho de 1967. Fotografia por Luc Joubert.