Apesar de a presença de personagens femininos no audiovisual brasileiro ser superior à média de diversos países, 69% das mulheres acreditam que faltam papéis representativos do gênero nas produções nacionais, aponta pesquisa encomendada pelo Instituto Geena Davis.

Segundo Madeline Di Nonno, CEO da instituição, reduzir a disparidade entre os gêneros no cinema e na TV é fundamental para alterar a forma como a sociedade enxerga o papel da mulher. Ela participou do “Encontro com o Geena Davis Institute”, promovido em parceria com o Sistema FIRJAN e com o Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (SICAV). O evento discutiu a participação da mulher na cadeia produtiva do setor audiovisual.

“Uma de nossas missões é colocar o gênero na agenda. De todas as categorias de negócios, a mídia é a que pode promover a igualdade mais rapidamente, pois trata-se de ficção”, disse Madeline. Ela ressalta que os estudos do instituto são entregues aos estúdios de TV e cinema e aos produtores de conteúdo para que possam avaliar como promover uma maior inclusão da mulher.
Para Silvia Rabello, presidente do SICAV, a promoção da igualdade de gênero ganhou ainda mais relevância em virtude das mudanças na indústria nos últimos anos: “Esse é um debate importante para todos os setores, mas no audiovisual se tornou ainda mais necessário por conta do aumento de mulheres trabalhando nessa área”. Silvia foi homenageada no evento por sua gestão à frente do Sindicato e pela contribuição para o desenvolvimento da indústria audiovisual fluminense.

Protagonismo feminino

Roteirista dos filmes da saga Crepúsculo e da série Jessica Jones, Melissa Rosenberg destacou o crescimento de personagens femininos fortes como protagonistas. Segundo ela, o surgimento das novas mídias, como o streaming, facilitou novas abordagens sobre a mulher nas produções. “Ao longo dos últimos cinco anos têm-se criado papéis mais ricos e complexos, e tem havido uma aceitação maior por parte do público”, pontuou.

Para Rosana Alcântara, diretora da Agência Nacional do Cinema (Ancine), o incremento da indústria audiovisual deve refletir avanços no papel da mulher na sociedade. “O setor vem crescendo acima de outras cadeias e deverá traduzir melhor a diversidade da sociedade brasileira. Na Ancine temos feito levantamentos e estudos de monitoramento, que não fogem à pesquisa apresentada pelo Instituto Geena Davis”, disse.

Também participaram do encontro Caroline Heldman, professora da Occidental College e representante do Instituto Geena Davis; Deborah Calla, membro do Conselho Consultivo do Instituto Geena Davis; Amália Fischer, coordenadora geral do Elas Fundo de Investimento Social; e João Feres Júnior, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ).

No evento foi realizada ainda a entrega do Prêmio Cabíria de Roteiro, promovido com o objetivo de reconhecer histórias com protagonistas femininas e aumentar a qualidade da representação feminina no cinema brasileiro.

O “Encontro com o Geena Davis Institute” aconteceu em 7 de março, na sede da Federação.

Fonte: Sistema FIRJAN