Dividida em três salas, mostra no CCBB faz um panorama da carreira de Guilherme Vaz, um dos pioneiros da arte conceitual e sonora

 

“Um artista de invento, que expande a linguagem”. São essas as palavras usadas pelo curador Franz Manata para descrever a trajetória trilhada por Guilherme Vaz, integrante das vanguardas dos anos 1970 e um dos pioneiros da arte conceitual e sonora brasileira. A extensa produção do artista multimeios, com passagens pela música experimental, pelo cinema e pelas artes visuais, está sendo relembrada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) com a mostra Guilherme Vaz: Uma Fração do Infinito, aberta à visitação do público até 4 de abril.

A seleção final das 41 obras, que abarcam 50 anos da produção de Vaz, inclui instalações, objetos sonoros, desenhos, partituras, performances e parte da produção musical do artista, que estarão dividas nas três salas que ocupam o segundo andar. Para não deixar escapar nenhum detalhe, Vaz e Manata têm trabalhado juntos ao longo dos últimos meses. A parceria resultou em um intenso processo de pesquisa, como explica o curador.

“O exercício foi ficar invisível e respeitar o autor em seus percursos e desvios, pois estamos falando de um artista radical, tanto no plano estético, quanto ético, alguém que recusou o caminho da institucionalização, o que lhe custou certa invisibilidade no plano da cultura”, diz.

Manata se refere aos anos em que Vaz viveu no interior do extremo oeste brasileiro, onde desenvolveu trabalhos de antropologia, artes visuais e música pré-histórica com os povos indígenas Zoró-Panganjej, Gavião-Ikolem e Araras, logo depois de ter fundado, em parceria com Cildo Meireles, Frederico Morais e Luiz Alphonsus, a Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio (MAM), em 1969. Esta experiência, que Vaz já afirmou em outras ocasiões tê-lo influenciado muito como artista e pessoa, estará representada na primeira sala. Entre os destaques estão pinturas realizadas com o índio Carlos Bedurap Zoró, da tribo Gavião-Ikolem, e a escultura inédita Totem de Maracás, composta por centenas de unidades do instrumento indígena.

A segunda sala aponta a relação do artista com a música experimental, através da recriação de obras apresentadas em outras ocasiões. Entre elas está a instalação sonora Crude, exibida inicialmente na 8ª Bienal de Paris, em 1973, e depois na 7ª Bienal do Mercosul, em 2007. Criado a partir de pesquisas de Vaz acerca do que ele definiu como “música corporal”, o trabalho foi realizado de forma acústica na primeira versão, com sons extraídos diretamente da arquitetura. A partir de 2007, foram incorporados microfones para amplificar o som no espaço e explorar as diferentes sonoridades. A versão mais atual foi a escolhida para o CCBB.

A última sala, por sua vez, aborda a relação de Vaz com a imagem em movimento através da parceria com o cineasta e documentarista Sérgio Bernardes. Foi trabalhando com cineastas, músicos e artistas residentes no Rio que iniciou sua interlocução com a cena cultural da cidade, no final da década de 1960. Ao longo de sua trajetória, Guilherme produziu trilhas para mais de 60 filmes, sendo 30 longas-metragens, incluindo O Anjo Nasceu (1969), de Júlio Bressane, e Fome de Amor (1968), de Nelson Pereira dos Santos, a primeira experiência de música concreta no cinema nacional. Ambos foram premiados no Festival de Cinema de Brasília.

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Fonte: Secretaria de Cultura do Rio  (Colaboração de Danielle Veras)