Daniel Auner é o que pode-se definir como menino prodígio da música. Nascido em Viena,  começou a estudar violino aos 5 anos de idade e aos 6 anos já tocava acompanhado de orquestra . Hoje, aos 28 anos, é professor de música na The Vienna Music Academy.  Auner está em breve turnê pelo Brasil, 1º de dezembro se apresenta em Brasilia, e, nos dias 8 e 9 de dezembro será a vez do Rio de Janeiro receber pela primeira vez o músico, com apresentações na Cidade das Artes e na Sala Cecilia Meireles. Confira a entrevista exclusiva que o “jovem mestre violinista de Viena”, como definiu o Jornal austríaco Di Presse, concedeu ao blog.

Qual foi sua motivação para estudar música e por que a escolha pelo violino?

Daniel Auner: Meus pais são músicos. Meu pai é um violoncelista e minha mãe uma pianista. O primeiro instrumento que eu toquei quando criança foi um violoncelo, eu tinha 3 anos de idade. – Infelizmente, não existem violoncelos para crianças de três anos, de modo que Luthier teve que improvisar – ele pegou uma viola e fez um um arco para que eu pudesse segurar como um cello; era meu brinquedo favorito. Mais tarde, meus pais começaram a tocar piano trio (conjunto composto de piano, cello e violino) , e eles ensaiavam em casa. Portanto, esta foi a primeira vez que eu vi o violino, e eu imediatamente quis tocar violino, e não o violoncelo.

Quais foram seus principais mestres do violino?

Daniel Auner: Meus principais professores de violino foram Christian Altenburger da Universidade de Música de Viena e Igor Ozim da Mozarteum Salzburg. Através de meus estudos, sempre tive violinistas que eu sempre admirei. De David Oistrach, Janine Jansen, Joshua Bell, Fritz Kreisler à Jascha Heifetz.

Como foi a sua estreia profissional no violino?

Daniel Auner: Ela foi gradual. Eu tinha seis anos de idade quando toquei meus primeiros concertos como solista em orquestra, mas não se pode considerar uma estreia profissional apresentações nessa idade. Eu fui sendo convidado para tocar em concertos com mais frequência, isso vem sendo um desenvolvimento constante.

Você tem preferência por algum período específico de música para violino ?

Daniel Auner: Mozart. Eu estudei em Salzburg; Eu passava todo meu tempo debruçado nos manuscritos de Mozart. Cheguei a algumas conclusões que mudaram completamente minha maneira de interpreter o instrumento – Eu tocava com os arcos de Mozart para experimentá-lo quando eu estudava lá,etc

Como foi seu primeiro encontro com a música de Mozart?

Daniel Auner: Meus pais fundaram em 1990 o Trio Vienna Mozart, um trio de piano que existe até hoje. Eles falam que quando eu era pequeno, no jardim de infância, já assobiava de cor o concerto para violino e orquestra em Ré Maior de Mozart , antes mesmo de eu começar a falar. Eles tocavam Mozart o tempo todo quando eu era bebê, eu realmente cresci com sua música.

Você tem uma preferência por alguma música para violino de Mozart?

Daniel Auner: O Mozart tardio. Infelizmente os concertos para violino de Mozart foram compostos quando ele era muito jovem ainda. Então eles são bem alegres, muito agradáveis, talvez um pouco ingênuos às vezes. Mas a qualidade dos últimos trabalhos de Mozart e a quantidade de emoções que ele colocou em suas últimas sonatas para violino ou concertos para piano são incomparáveis em relação aos seus concertos para violino. São muito mais profundos…

O que difere o Daniel Auner do álbum “Caprice Viennois” (2010) para o Daniel Auner de “Dialog Mit Mozart” (2014)?

Daniel Auner: Caprice Viennois foi uma coleção de obras compostas por violinistas famosos. A ideia era dizer ” Quem conhece seu instrumento melhor que o próprio violinista?” – de modo que esse compositor será capaz de usar todos os benefícios do instrumento até melhor que outros compositores.

O CD Dialog Mit Mozart foi um longo projeto. Quando eu comecei a estudar as partituras, os manuscritos em Salzburgo, e quando eu fui para o apartamento de Mozart e vi sua mesa próxima do piano, reparei claramente que ele compôs todas as suas obras sentado ao piano e escrevendo na sua mesinha mais próxima. Por exemplo, tornou-se evidente que as partes de violino também tinham sido compostas no piano. Se você desempenhar a parte de violino solo de uma sonata para piano, você irá frasear e articular diferentemente, já que o instrumento tem uma abordagem completamente diferente. Você vai levantar suas mãos após cada ligadura, separando e articulando mais claramente, etc

Ao tocar com o arco de Mozart ( Se referindo ao tipo de arco usado por Mozart), sente-se muita diferença no som. Tocando notas rápidas faz-se o arco soltar no ar, sem que você faça qualquer trabalho extra. Assim todas as notas rápidas tendem a saltar, etc… Comparando o manuscrito, a primeira edição e a impressão moderna observa-se muitos erros nas atuais edições, que eu queria mudar. Despois de tudo isso, eu quis fazer a gravação!

Qual é a sua análise da música composta para violino atualmente?

Daniel Auner: Há duas idéias – as convencionais e não convencionais. Eu prefiro a música onde eu possa mostrar a beleza do meu som mais do que efeitos percussivos – mas ambos podem ser muito interessantes. A peça que eu irei tocar no Rio é convencional e vai pelo estilo de música para filmes na minha opinião.

Que tipo de conselho você daria para os jovens estudantes de violino?

Daniel Auner: Pratique muitas escalas, arpejos e bastante paradas-duplas. A literatura de violino consiste principalmente nos dois primeiros, por vezes também as paradas-duplas. É importante praticar em um ambiente controlado, sem nenhum tipo de música. Somente então, eles podem se tornar suas ferramentas para produzir música de alta qualidade. Se você praticar escalas, a primeira vez que você tocar o Concerto para Violino de Beethoven, que será indiscutivelmente mais difícil de tocá-lo no palco se você estiver perdendo a confiança nas escalas e arpejos (e este concerto é composto 100% de escalas e arpejos), cada nota será perfeita.

Qual é o próximo passo em sua carreira? Há novos projetos em mente, como a gravação de um novo CD?

Daniel Auner: Sim. Eu quero gravar meu próximo CD com obras compostas em Viena entre 1900 e 1930. O período romântico tardio, Richard Strauss, Erich Wolfgang Korngold, Alexander Ziemlinsky, Gustav Mahler, Schönberg Arnold etc.


No Rio de Janeiro Daniel Auner se apresenta nos dias 8 e 9 de dezembro,sendo respectivamente no Teatro de Câmara da Cidade das Artes às 21h e na Sala Cecilia Meireles às 20h. Acompanhado da orquestra Sinfonica Brasileira, sob a regencia de Lee Mills.

“Estou na expectativa de tocar uma das mais belas peças de música com uma das melhores orquestras do mundo, e eu estou ansioso para isso há muito tempo”. Daniel Auner, referindo-se à sua apresentação no Rio de Janeiro junto à OSB.

No programa  o violinista sola na estreia brasileira de Elementos, concerto para violino escrito recentemente pelo compositor norte-americano Michael Mclean, que eleva à máxima potência os recursos de estilo do instrumento.  Os programas trazem também Ramificações, obra para conjunto de cordas do compositor romeno György Ligeti que homenageia o grande regente Sergey Koussevitzky. Sob a regência do Maestro Lee Mills, a OSB apresenta ainda outra peça escrita exclusivamente para cordas: a Fantasia sobre um Tema de Thomas Tallis, de Ralph Vaughan Williams. No concerto do dia 9, na Sala Cecília Meireles, a orquestra encerra o programa com a Sinfonia Popular, umas das mais emblemáticas criações do brasileiro Radamés Gnattali.

Informações e ingressos: www.osb.com.br