As estações telegráficas construídas pela Comissão Rondon em Vilhena e Ji-Paraná (RO), o conjunto arquitetônico, paisagístico e acervo de bens móveis do Terreiro Omo Ilê Aboula (BA), remanescentes do antigo Teatro de Cultura Artística (SP) e o edifício sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo (SP) ganharam, nesta quarta-feira, o título de Patrimônio Cultural Material do Brasil. A decisão foi tomada durante a 81ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Estação telegráfica de Ji-Paraná

Estação telegráfica de Ji-Paraná

As duas antigas estações telegráficas em Rondônia foram as primeiras avaliadas durante a reunião. Ambas são consideradas testemunhas concretas de uma política específica de integração nacional, da região Norte com o restante do País, e de um momento da história da tecnologia no Brasil, com o surgimento das telecomunicações. “Este tombamento reforça a presença do Iphan em Rondônia e complementa um conjunto de bens tombados no estado”, destacou a presidenta do Iphan, Jurema Machado.

Teatro de Cultura Artística (SP)

Teatro de Cultura Artística (SP)

Outro bem tombado foi o antigo Teatro de Cultura Artística de São Paulo. O espaço é um marco na história contemporânea das práticas artísticas do Brasil, um símbolo do movimento espontâneo da própria sociedade para o desenvolvimento de atividades culturais, na qual as iniciativas deixaram de depender do Estado com um propósito de priorizar a arte brasileira e a cultura tradicional. O valor artístico está atribuído ao painel de afresco do pintor brasileiro Di Cavalcanti, elemento de maior destaque na fachada.

Um dos principais registros da arquitetura moderna paulista, o edifício sede do Departamento São Paulo do IAB-SP, também foi tombado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. “A preservação do Patrimônio Histórico aponta para a preservação e qualificação do patrimônio futuro, que é o papel que este prédio tem nesta região da cidade”, afirmou o presidente do IAB-SP, José Armênio Brito.

Além disso, o Conselho aprovou o tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico e acervo de bens móveis do Terreiro Omo Ilê Aboula, na Ilha de Itaparica (BA), testemunho de resistência do povo de axé. É um espaço que condensa toda a ancestralidade dos antigos terreiros, tornando-se um elo fundamental entre os terreiros de culto a Egunguns fundados por africanos no século XIX e a ancestralidade afro-brasileira. E por isso, é uma casa de notório reconhecimento entre o povo de culto aos ancestrais.

Edifício sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo

Edifício sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo

Terreiro Omo Ilê Aboula

Terreiro Omo Ilê Aboula

Conselho Consultivo
Ao longo deste ano, o Conselho avaliou diversos bens. Entre eles, a prática artesanal de fazer cuias, realizada por mulheres de comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas (PA), a maestria do paisagismo de seis Jardins de Burle Marx, no Recife (PE), e a história, arte e beleza do parque Campo de Santana, no Rio de Janeiro (RJ).

Também estiveram na pauta o tombamento do Conjunto Arquitetônico Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora (MG), e da antiga sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro (RJ), além da proposta de registro como Patrimônio Cultural do Brasil da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha (CE).

O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os ministérios da Educação, das Cidades e do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.

Fonte:  Ministério da Cultura